13.1.18

Receitas da Tété

Vocês já sabem que eu não gosto de cozinhar, que se me dessem um cozinheiro como prenda de anos eu ficava encantada da vida, que tiro pouco prazer da cozinhar, de andar ali a cortar legumes, a mexer em carne crua (blargh) e a ver se não queimo nada. E como gosto pouco de cozinhar não perco grande tempo à procura de receitas, coisa que até devia uma vez que como gosto pouco de cozinhar, também não invento que é para não dar porcaria. Por isso, faço coisas simples, muitas vezes repetidas, sem grande imaginação e mal aprendo um prato novo que até não me saia muito mal, faço-o em todos os jantares de família e amigos que tenha nos meses seguintes, muito contente por conseguir oferecer-lhes um prato diferente dessa vez.
Bom, é deste último prato que vos venho aqui falar porque acho que ficou tão bom que pensei que era giro partilhar convosco. Aviso é desde já que é algo super-básico, que todos vocês já devem ter feito quando tinham 9 anos e que depois de lerem vão revirar os olhos e achar que sou tonta porque acho que inventei a roda. Mas a minha ideia é dar ideias a quem, como eu, nunca sabe o que há-de cozinhar e que tem limitações, como eu, não podendo fazer coisas que tenham 20 passos a seguir e mil e um condimentos a gerir. 
Por isso, vocês que sabem cozinhar, que fazem grandes pratos para festarolas de 50 pessoas, que são capazes de cozinhar durante um mês sem repetir qualquer receita, que fazem os vossos próprios condimentos em casa, que plantam ervinhas e coisas que tais para usar na comida, isto não é para vocês. Ide, ide, e voltai quando eu falar de outra coisa qualquer e mais gira, sim? :)

Quanto à receita de hoje, tenho a dizer-vos que a vi num site ou numa revista, já nem sei. Uma imagem de umas espetadas passou-me à frente dos olhos, voltei para trás, li por alto a receita e pensei "Vou fazer isto!". E ala para o supermercado. Claro que nem tomei nota dos ingredientes e por isso tive de inventar, o que me levou a comprar molho "cocktail" em vez de molho "barbecue" como dizia a receita. Surpreendentemente, resultou na perfeição. Eis a receita:

Ingredientes:
- 1 pimento verde, 1 pimento vermelho, 1 pimento amarelo, aos bocados
- Chouriço cortado às rodelas
- Peitos de frango cortados aos cubos
- Molho Cocktail
- Azeite
- Especiarias "México - Sabores do Mundo" da Margão
- Alho picado


1. Fazer as espetadas, alternando o frango, os pimentos e o chouriço.
2. Colocar o molho cocktail numa taça, juntar uma colher de sopa de azeite, cobrir com as especiarias e um pouco de alho. Juntar um pouco de água para que o molho fique mais líquido. Nesta fase, o aspecto é horrível, tenho de dizer.  A minha mãe viu-me a começar a preparar esta mistura e acho que se arrependeu ligeiramente de ter aceite fazer este prato comigo, mas depois reconheceu que bem misturado o aspecto melhora. Eu não uso sal, nem para temperar a carne nem no molho. São gostos. Quando o prato leva assim molho, às vezes opto por não acrescentar sal, sobretudo se depois não sinto que fizesse falta.
3. Dispor as espetadas num pyrex, de forma que as pontas pousem nas laterais do pyrex para que as espetadas não toquem no fundo, ficando penduradas. Por cima, verter o molho.
4. Vai forno (180°C, perto disso) e vai-se vigiando. Quando começa a ganhar cor por cima, rodam-se as espetadas e volta-se a regá-las com o molho que está no fundo do pyrex.
5. Servir com arroz. Fica bem bom e pode-se comer sem abusar no molho ou, como eu gosto, colocando um pouco do molho por cima da carne, dos legumes e do arroz no prato.

Agora, aproveitando a onda e tornando esta receita mais calórica:

1. Numa frigideira, colocar os pimentos cortados, o chouriço e a carne de frango. Esta aqui costumo temperar previamente com sal e alho em pó. Cozinhar.
2. Cozer massa à parte.
3. Preparar o molho como descrito na receita acima. Juntar na frigideira e levar a ferver.
4. Com a massa ainda quente, colocar um quantidade generosa de queijo ralado e misturar. Juntar o conteúdo da frigideira, misturando bem.
Fica uma massa divinal. Aqui é preciso é juntar água na quantida
de certa ao molho. Da última vez não juntei a suficiente e no fim a massa ficou com pouco molho, o que foi uma pena.

E pronto, já acabei de fingir que sei cozinhar. O blogue retomará o seu conteúdo habitual já de seguida.

(é este o molho que uso)

10.1.18

13 anos de namoro

"Ali, 
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda."

Ali, perguntei-lhe se ele queria namorar comigo. A ele, que naquele mesmo dia me tinha dito que não tinha qualquer intenção de me pedir em namoro, o parvo. 
Achava ele que me estaria a assustar se mostrasse querer uma relação mais definida e que o que eu queria é que ficássemos assim naquela indeterminação de "somos mais que amigos mas não somos namorados" (logo eu...).
E pela segunda vez na nossa vida, tive de ser eu a chegar-me à frente e a pedi-lo em namoro. E ele perguntou-me se eu estava a falar a sério porque deu-me para rir com os nervos e com o medo que ele me dissesse que não (afinal de contas só nos tínhamos reencontrado há exactamente um mês). 
Ele disse que sim.
Faz hoje 13 anos. 
Acho que não sei bem como é que passámos daquele momento para de repente, no mesmo sítio, estar a ser pedida em casamento (era o que faltava ser eu a fazer este pedido) e para de repente já termos uma filha. Na verdade, acho que não sei bem como é que já passaram 22 anos desde o primeiro pedido de namoro que lhe fiz.
Mas sei que tanto no primeiro pedido de namoro, como no segundo, como quando ficámos noivos, como no dia do casamento, como no dia em que nos transformámos em pais, como hoje, eu sempre soube que "era um amor para a vida toda". 



8.1.18

Uma paulada na cabeça de cada um que me diz isto e a vontade de dizer coisas era capaz de começar a passar-lhes...

Já aqui relatei uma situação semelhante e no Facebook também, mas o problema mantém-se e eu estou a começar a atingir um ponto de saturação que me faz começar a pensar em reagir, seja simplesmente com um revirar de olhos, uma resposta menos agradável ou até dar um calduço a quem me interpela acrescentando depois um "Ganhe juízo" ou "Por qué no te callas?".

Tenho uma filha amorosa, não o posso negar, e que sai muito aos pais no que toca à timidez. Em casa é uma grafonola, simplesmente não se cala, chego até a ficar saturada de tanto blá-blá-blá, sobretudo porque desde as primeiras palavras que tem uma capacidade absurda de repetição e fica mais de meia-hora a repetir a mesma palavra ou frase. Neste momento é quase impossível conversar via skype ou com o Jack ao jantar porque ela não-se-ca-la-nem-um-só-mi-nu-to. Ou está a falar connosco, ou sozinha, ou com os bonecos, ou com o prato, ou a perguntar uma dezena de vezes "o que estás a fazer?" e "o que é isto?". Mas na rua está calada. 
Para além disso é uma miúda sossegada, é um facto. Entro numa loja e ela ali fica geralmente ao pé de mim, simplesmente a observar tudo, sem reagir se alguém se mete com ela. Não faz birras, não tenta agarrar tudo e mais alguma coisa, não se põe aos saltos nem em correrias, não fala, não grita. Nos passeios vai de mão dada comigo, às vezes conversamos, outras vezes vamos apenas em silêncio. 
E eu compreendo que as pessoas olhem para ela e comentem esta calma, levando-me a ouvir uma referência a ela quase todas as semanas.

Já não compreendo tão bem que o limite do bom senso seja ultrapassado e as pessoas se sintam no direito de me dizer tudo o que pensam ou acham. Sobretudo se é um tema que pode de facto preocupar/afligir/incomodar uma mãe. No nosso caso, o ponto-chave é a entrada da Mini-Tété este ano na escola. Como mãe dela e conhecendo-a como a palma da minha mão, tenho os meus receios e angústias quanto a esta entrada (que nem sequer passam pela sua timidez, hei-de falar disso num post), e mesmo que fosse uma mãe despreocupada, acharia na mesma desagradável ter de ouvir constantemente perfeitos estranhos a dizerem "A sua filha é tão tímida/sossegada/etc. Vai sofrer imenso quando entrar na escola!".

Mas porquêêêê? O que é que leva alguém a ver uma mãe e uma filha calmamente a viver a vida delas e a pensar "Eu não me aguento, tenho de ir ali dizer-lhes que a miúda é calma de mais e vai sofrer, pobres criaturas a viver assim na ignorância, o que seria delas sem mim?", alguém me explica?
Já me aconteceu estar a ser atendida numa loja e de repente uma funcionária ou cliente dizer-me isto sem sequer haver um "bom dia" antes. É literalmente um vomitar de parvoíce sem qualquer aviso prévio. Já me aconteceu ser interpelada na rua para me dizerem isto. Já me aconteceu estar a ser atendida por uma funcionária que começa a comentar com outros clientes o futuro sofrimento da minha filha como se eu não estivesse ali. Fosse eu uma pessoa que desse importância ao que os outros dizem e acharia que isto não é apenas desagradável, mas sim cruel. 

Quando eu andava na creche, não havia dia que não regressasse a casa com uma nova marca de dentada dada por um dos outros miúdos da minha sala. Não havia dia que escapasse a isto e a minha personalidade sossegada e tímida assim o permitiam [sim, a Mini-Tété não sai ao vento]. Até ao dia em que a minha mãe me foi buscar e foi informada que a sua menina calma e sossegada aproveitou uma distracção das funcionárias e mordeu os miúdos todos da sala a eito, sem escapar nenhum. Eu não sei como vai ser a entrada da Mini-Tété na escola mas talvez ela saia à mãe. Calma e sossegada até atingir o ponto de saturação. 

Já disse que estou a atingir o meu ponto de saturação com este "aviso" vindo de quem não me conhece de lado nenhum, não já?


5.1.18

Ela e a Batata-doce

Eu sou uma esquisitinha com a comida. Assumo. Gosto de poucas coisas, odeio provar coisas novas, sou picuinhas com a consistência e textura das comidas, enfim, não sou fácil neste campo. E embora gostasse que a Mini-Tété saísse a mim em várias coisas, não faço questão que ela seja igual a mim neste ponto nem que se torne uma daquelas crianças que se recusa a comer seja que legume for ou que torça o nariz a algo só porque "é verde". Por isso, embora ainda haja um mundo de coisas que ela nunca experimentou, temos também o cuidado de a ir incentivando a provar algumas coisas, de lhe propor novos sabores e não desistir à primeira.
Já aqui o disse, uma das nossas estratégias passou por não dar a conhecer à Mini-Tété o sabor de doces como chocolates, rebuçados, pipocas, gelados, ou batatas fritas, refrigerantes, etc...Achámos que havendo tanta coisa para experimentar, não fazia muito sentido começar desde cedo a fazê-la experimentar todas estas coisas que conseguem ser muitas vezes mais agradáveis que outras mais saudáveis como, por exemplo, os bróculos. No fundo, não lhe quisemos viciar o sabor. É claro que haverá crianças que desde cedo comem de tudo, açúcar e salgados incluídos, e mesmo assim apreciam uma boa sopa, uma boa peça de fruta, comem de tudo sem refilar e ainda repetem. Não digo que não, nós é que não quisemos correr o risco (aliado a sentirmos que nada destas coisas lhe fazem falta, sobretudo quando é assim tão pequenina).
Outra estratégia é ter à disposição, comer à frente dela, abrindo assim espaço à curiosidade. Um dos exemplos que tenho é o tomate-cereja. As primeiras vezes que dei tomate-cereja à Mini-Tété, ela deitou-o fora, não gostou. Li não sei onde que se deve oferecer pelo menos 10 vezes para que a pessoa possa verdadeiramente dizer que não gosta, por isso, continuei a ter à disposição, punha na mesa ao jantar, comia e oferecia. Houve vezes em que nem quis experimentar, outras em que nem engolia. Um dia pediu-me, comeu e pediu mais. Mas continuou a não gostar de tomate normal. Até à semana passada. Esta semana já o comeu duas vezes. Ou seja, o truque está em não desistir, não forçar e ter à disposição, oferecendo sempre. E dar o exemplo, comendo. A verdade é que vermos os outros a deliciarem-se com algo abre-nos muitas vezes a curiosidade. Eu que o diga pois quando era pequena via o meu irmão a babar-se por pães de Deus e entrecosto e ainda tentei algumas vezes comer pois se ele gostava tanto, então aquilo devia mesmo ser bom (e não dá, não gosto mesmo e não foi realmente por falta de tentativa).

Ainda assim, não tenho qualquer ilusão ou objectivo que a Mini-Tété goste de tudo e coma de tudo. Não quero ser e não serei aquele tipo de mãe que vai obrigar a filha a ficar na mesa até rapar o prato, sem que esta tenha direito a dizer que não gosta. Mas também não sou nem serei o tipo de mãe que só cozinha o que a filha gosta, até porque embora a Mini-Tété coma bem, ainda torce o nariz a muita coisa. Por exemplo, ela não é fã de batatas e não é por isso que não as faço. Come menos, não insisto muito para que coma mais do que um pouco de batata, mas continua a ser algo que lhe é apresentado.

Em conversas com o Jack, sempre lhe disse que os meus filhos teriam direito a não gostar de algumas coisas sem que houvesse insistência para que comessem. O meu avô era obrigado a comer todas as favas do prato embora não as suportasse e não me revejo neste tipo de comportamento. Aliás, os meus pais tiveram comigo a mesma compreensão e perceberam rapidamente que certas comidas por muito que eu tente nem consigo engolir de tal forma a textura me agonia (como o entrecosto que referi acima. Sei lá eu quantas vezes tentei comer numa tentativa de imitar o meu irmão e nem mastigar aquela carne consigo, quanto mais engolir). Bom, até agora não havia nada que dissessemos "A Mini-Tété não gosta mesmo", pois embora torça o nariz e deite fora uma série de coisas, acho que é sobretudo por ainda não se ter habituado ao sabor. 

Nos últimos meses contudo começámos a reparar que a nossa filha que até então nunca tinha sido muito amante de batata doce, parecia de facto fazer um esforço enorme para a comer, recusando a maior parte das vezes. Da última vez, talvez por estar com fome, lá ia picando os bocadinhos que tinha no prato sem nos dizer nada mas a cada garfada, havia uma careta inevitável, um engolir em seco, um golo de água a seguir. Estou convencida que encontrámos a primeira coisa que lhe desagrada mesmo. E por isso, amanhã o jantar será salmão. Com batata doce para nós. Com batata normal para ela. [a batata-doce continuará à disposição, quem sabe o gosto não mudará mas por enquanto damos um pouco de espaço a esta miúda que até come bem e não nos dá grandes problemas à mesa].

31.12.17

12 Desejos para 2018


Vamos lá então à nova lista para o novo ano.

1. Mudar de casa.
Há coisa de um mês, o Jack teve ali um momento de fé e declarou que lá para a Março teríamos a casa nova pronta (hoje andaram a colocar os tectos falsos, yeah). Eu, pessoa com os pés mais assentes no chão, apontei para Maio. Agora se ficar pronta antes do Verão já me dou por satisfeita. Se ficar pronta antes do final do ano, fico agradecida que eu quero é acabar as obras, mudar-me e esquecer-me que um dia embarquei nesta aventura de comprar um celeiro e fazer dele uma casa. Não se ponham nestas coisas, a sério, isto rouba-nos anos de vida. E pode mesmo vir a acabar em homicídio se o Jack continuar a falar de "agora na próxima, fazemos uma casa de raiz!".

2. Baptizar a Mini-Tété
A não ser que aconteça algum imprevisto, o baptizado acontecerá em Maio, já está tudo marcado com a igreja. Os padrinhos estão convidados e só não fiz ainda os convites em papel porque ainda não vi se o restaurante para o almoço tem vaga nesse dia.

3. Mini-Tété vai entrar na escola.
Se tudo correr bem, em Setembro de 2018 a Mini-Tété vai entrar no infantário, prestes a fazer os seus 3 aninhos. Espero que nada corra mal nas burocracias francesas e que me seja permitido colocá-la no infantário mais perto da futura casa, mesmo que ainda não estejamos lá a morar.

4. Que ela goste da escola.
Eu não estou preparada. Ela não está preparada. E provavelmente nenhuma de nós estará quando chegarmos a Setembro. Vai haver um choque, vai haver uma adaptação, vão existir lágrimas, vai custar, mas tudo isto me parece tão natural como ela entrar na escola com esta idade. Faz parte. E eu espero que ultrapassada a primeira fase que ela goste da escola. E rezo a todos os santinhos que tenha a sorte de ter uma boa educadora, que tenha paciência e calma, que a faça sentir-se bem. 

5. Perder peso
Se este objectivo não estivesse aqui até seria de estranhar (vamos sonhar com o dia em que não precisarei de o escrever porque efectivamente emagreci o necessário :D ). Vamos lá ver se é este ano (escreve ela enquanto deita o olho aos chocolates que estão em cima da mesa...Sou uma fraca).

6. Destralhar
Eu sei que vou aproveitar as mudanças para me livrar de várias coisas que para aqui andam, mas também para me facilitar o processo das mudanças (em que também não estarei assim tão livre quanto isso para andar a triar tudo), prefiro ir-me desfazendo de coisas antes e aos poucos. Esta parte até está a correr bem, não fosse eu sentir que por cada 5 coisas que eu me livro, entram outras 15 pela porta. 

7. Arranjar um emprego
Com a entrada da Mini-Tété na escola, acaba-se o meu papel de mãe a tempo inteiro e gostava de voltar à vida profissional.

8. Fazer mais saídas a dois
Estes anos têm sido muito duros para nós. Temos tido tantos problemas à nossa volta, tantos stresses, que estamos ambos a precisar de respirar fundo e dedicarmo-nos um ao outro. Dizem que ter um filho pode abalar um pouco uma relação, dizem que construir uma casa pode abalar uma relação, e nós decidimos fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Estamos aqui de pedra e cal mas precisamos de um pouco de oxigénio. E como neste Natal nos ofereceram daqueles pacotes com estadia durante uma noite ou um jantar num restaurante diferente, temos mesmo de os aproveitar.

9. Que tenhamos todos saúde
Que os meus avós vivam mais um ano cheio de saúde. Que a Mini-Tété se mantenha a criança saudável que é e que eu, o Jack e a restante família tenhamos saúde para presenciar isso. E eu sei que a entrada da Mini-Tété na escola vai fazê-la travar conhecimento com uma série de bactérias e vírus que até agora lhe são desconhecidos, mas se forem coisas simples que um tratamento resolva, por mim tudo bem.

10. Aproveitar bem este nosso último ano em casa.
Já o tinha dito o ano passado e volto a dizer este ano. A Mini-Tété nunca mais terá 2 anos, eu não sei se terei mais filhos (e mesmo que tenha, a idade da Mini-Tété não volta atrás), por isso quero continuar a tentar aproveitar bem cada dia que tenho com ela. Há dias melhores, há dias piores, mas espero que este ano nos traga boas memórias às duas.

11. Aprender a fazer novos pratos
Gostava de aprender a cozinhar coisas diferentes, nada de muito elaborado já que temos gostos simples, mas a verdade é que sinto que acabamos por repetir muito o que comemos. O Jack não se queixa (ahah, era o que faltava já que deixa que me calhe a mim a tarefa de cozinhar a maior parte das vezes. Mudando de casa e tendo-o mais cedo em casa todos os dias e vamos lá ver se isto também não muda...) mas às vezes sinto falta de inspiração. Há quase 2 anos comprei um robot de cozinha e embora não o use todos os dias (nem tenha necessidade disso, não me faz sentido fazer massa ou arroz simples num robot), a verdade é que também o uso menos do que gostaria. Nos últimos meses tenho-o usado mais e assim quero continuar (já que não deixou de ser um investimento e porque de facto me ajuda a fazer pratos que não faço numa panela pelo trabalho que me dá fazê-lo desta forma mais tradicional).

12. Focar-me.
Os anos passam, temos novas vivências, algumas boas, outras más, lidamos com coisas novas, alguns stresses, alguns imprevistos, e com tudo isto crescemos. E no meio de tudo isto eu acho que não sei muito bem que tipo de adulta sou. Não estando completamente perdida, acho também que não estou assim tão focada e com certezas como eu gosto.

Bom ano a todos!

28.12.17

Balanço de 2017 - Parte II

O ano de 2017 não foi o ano tão simples e calmo como eu gostaria que tivesse sido. Perdi mais vezes a paciência do que gostaria, senti-me mais vezes impotente do que eu gostaria, senti-me com mais receio do que eu gostaria. Teve claro coisas boas e acho que se cheguei ao fim dos últimos 2 anos cansada do ano em que estava, este ano sinto alguma calma. Conquistámos algumas coisas, perdemos outras. E eu estou num misto de fé em relação a 2018 e de medo pois será um ano de mudanças (e eu sou um bocadinho avessa a elas).
Eu sou uma pessoa calma, do tipo que engole muitos sapos, que fica com muita coisa por dizer, que não gosta de reagir a quente, que gosta de ponderar o que vai dizer mesmo que com isso perca a oportunidade de me defender ou dizer o que penso. Este ano, isso alterou-se um bocadinho. Acho que passei por uma fase em que farta de não poder dizer o que quero a quem devia ouvir e farta de ficar sempre calada perante as mesmas pessoas, passei a dizer tudo. E isto até seria muito bom se não tivesse ido para o pólo oposto e não me tivesse tornado "excessivamente sincera e directa", muitas vezes com quem não o merecia. A verdade é que o "politicamente correcto" não deixa de ser necessário. :) Mas eu sentia uma espécie de urgência em dizer tudo o que me vinha à cabeça e o Jack bem sofreu com isto porque sendo ele a pessoa mais acessível, era ele que ouvia. Não havia cá 2 minutos de ponderação, dizia tudo como se o meu cérebro tivesse ganho voz e acreditem que dar palavra a todos os nossos pensamentos é extremamente cansativo. No último mês, decidi fechar a matraca em que o meu cérebro se tinha tornado e até me sinto mais inteligente, porque isto de pensar antes de falar é realmente uma mais-valia, mesmo que nos faça perder oportunidades. Numa ou outra situação, esta "sinceridade urgente" deu-me jeito, mesmo se poderia ter sido um pouco mais ponderada. É como aquela velha história do copo que vai enchendo e enchendo e de repente cai uma última gota e tudo transborda, sabem? O problema é que às vezes a gota é pequenina e quando deitamos tudo cá para fora parecemos tolinhas por estarmos assim perante algo tão pouco importante, quando podíamos ter esperado por algo mais sério para transbordar. Mas isto nem sempre se consegue gerir.
Em 2018 gostaria mesmo de encontrar um equilíbrio em relação a isto. Não posso e não quero dizer tudo o que me vem à cabeça mas também não posso deixar de me defender nalgumas situações. Não posso permitir tudo mas também não posso reagir como se já soubesse que a seguir vou ser atacada porque depois não o sendo fico a fazer figura de parva. Não posso permitir que outros achem que podem impor a sua vontade mas tenho de o saber contornar com educação porque de outra maneira não estou a ser eu.
Pfff, quem disse que ser adulta era fácil?


Balanço de 2017 - Parte I

Chegou a altura de rever os meus desejos e objectivos para este ano que, cheira-me, saíram quase todos ao lado. Não me lembro de todo do que escrevi por isso não deixa de ser giro ver o que me passava pela cabeça há exactamente um ano. Vamos isso:

1. Viver mais um ano da vida da Mini-Tété. Parece um plano parvo uma vez que sendo eu mãe a tempo inteiro, não há maneira da Mini-Tété viver nesta casa sem ser comigo. Mas para além de mãe, sou também responsável pela casa e por outras coisas que, se me descuido, me absorvem e quando dou por mim reparo que a Mini-Tété já aprendeu e viveu uma série de coisas sem que eu tivesse verdadeiro visto. Ela não vai ter 1 ano para sempre e eu quero gozar esta idade dela e não apenas estar aqui a tratar dela.
✅Feito. Não estive obviamente o tempo todo disponível para ela 24h por dia porque há efectivamente uma série de tarefas que tenho obrigatoriamente de fazer diariamente, mas gostei muito deste nosso ano. Gostei da rotina que criámos de manhã, dos passeios matinais para ir comprar pão, das idas ao parque quando estava bom tempo, da preguiça com que ficamos as duas na minha cama. Lá está, se calhar podia ter deixado de fazer algumas coisas para estar com ela, mas ainda assim sei que fiz o esforço de muitas vezes deixar tudo para trás e dedicar-lhe mais tempo para benefício dela e meu.

2. Arrumar a casa. A sério, não vivemos num apartamento muito grande e mesmo assim conseguimos transformá-lo facilmente num acampamento de ciganos que nos esconde papéis importantes, que nos faz gastar dinheiro em coisas que julgamos perdidas e que torna tudo mais difícil de limpar. Possivelmente terei de deixar a Mini-Tété de vez em quando com a minha sogra para ter tempo para esta grande arrumação que é de facto necessária, por isso é melhor ir-me fazendo à ideia.
✅ Feito. Ainda não está a casa dos meus sonhos, toda organizada e livre de tralha mas caminha para si. Destralhei bastantes coisas, dei uma organizadela importante aos papéis (a maravilha que é saber onde está tudo agora, ufa), re-organizei a cozinha de forma a ficar mais prática, e aos poucos vou conseguindo que seja mais fácil manter as coisas como estão.  E ajudou de facto ter a Mini-Tété a ir passar um dia de vez em quando com os avós para me poder concentrar e dedicar à arrumação.

3. Perder peso. Bom, este é o meu objectivo de todos os anos e, tal como um amigo de longa data, não me abandona na chegada de um novo ano. Mas começo este ano com menos expectativas do que nos outros anos e portanto com menos hipótese de frustração e desilusão. Há que assumir que o tempo agora é zero, seja para exercício, seja para perder tempo na cozinha, por isso não haverá mudanças radicais como "ir ao ginásio 5 dias por semana!" e "reduzir as calorias para metade". Farei pequenas mudanças compatíveis com a fase que agora atravesso e tenho alguma esperança que isso me permita ver a balança baixar, nem que seja de-va-ga-ri-nho. E também quero cuidar mais de mim. Fora o peso a perder, tenho de recuperar os antigos hábitos de me maquilhar mais frequentemente, de me desmaquilhar sempre, de tratar da pele, de usar os 1001 cremes que tenho e que foram abandonados sem dó nem piedade. Arranjarmo-nos aumenta logo a nossa auto-estima e isso é meio caminho andado para o dia correr melhor.
❌ Baaaaaaah. Como seria de esperar a coisa mantém-se. Minto. Quando regressei das férias de Verão, decidi aproveitar a alimentação mais saudável que tinha tido e cortei bastante com o açúcar. Só com isso foram-se 7 quilos, sendo que entretanto tive uns stresses e já recuperei 2 (o chocolate anima-me tanto, senhores. E as massas. E as batatas fritas). Uma tristeza. Mas ando com vontade de voltar a essas mudanças depois da passagem de ano. Até porque em 2018 tenho o baptizado da Mini-Tété e não quero ser confundida com o altar da igreja. Aliado à perda de peso, também me comecei a arranjar mais, a maquilhar-me mais frequentemente (há coisa de um mês descobri o poder de um bronzer ligeiramente e estrategicamente colocado para parecer logo menos "branca mais branca não há", estou fã) por isso neste ponto estou contente. Em Janeiro já tenho programado um bom corte de cabelo que qualquer dia acham que fiz a promessa de o deixar crescer até ao rabo.

4. Ser mais organizada! Preciso de aprender a organizar o meu tempo já que não tenho muito e sinto que o desperdiço de forma muito estúpida, acabando por ficar sem tempo para nada. 
❌ Aprendi a alterar algumas coisas que me têm ajudado a ganhar tempo, mas sinto que ainda preciso de aprender a organizar-me muito melhor.

5. Priorizar. Aceitar que tomar conta de uma criança de 1 ano, de uma casa e de toda a logística de uma vida a dois não é possível fazendo tudo correctamente. Mini-Tété é a prioridade de sempre mas a casa (depois da grande arrumação) terá de o ser um pouco menos. Não faz qualquer sentido estar a lavar louça às 3h00 da manhã como tantas vezes fiz nos últimos meses.
✅ Acho que neste ponto consegui alcançar o objectivo. O facto de termos comprado outra máquina de lavar a louça depois da nossa ter avariado ajudou certamente. :D

6. Ter mais força de vontade. Como 2016 foi um ano muito cansativo, sinto que perdi as forças para combater quando as coisas são difíceis. Estou cansada e ao primeiro obstáculo vejo-me a atirar a toalha ao chão pois não me quero chatear, perder tempo e gastar energia. Mas isto não dá jeito nenhum e atrasa-me a vida.
✅ Acho que tive mais força de vontade, mesmo não tendo sido um ano assim tão fácil como eu gostaria.

7. Ser a melhor mãe que consigo ser. O que às vezes não é grande coisa, mas faço o melhor que sei. Mini-Tété parece-me uma bebé feliz, amada e saudável e é por isso que vou continuar a lutar. Ela merece. E no geral até acho que não me safo muito mal nesta coisa de ser mãe.
✅ Feito. Não sou de facto a melhor mãe do mundo, cometo erros atrás de erros, mas caramba adoro esta miúda e faço o melhor que posso e sei. E com isto consigo ter uma criança saudável, sorridente e, quero acreditar, feliz. E ela sabe que eu gosto dela, o que me aquece o coração.

8. Escrever mais no blogue. Vocês não imaginam as saudades que eu tenho de aqui escrever com mais frequência. Adoro este meu cantinho e sinto-o tão abandonado. Mas primeiro tenho de resolver o ponto 2 e aprender o ponto 4, para assim conseguir ter tempo para aqui escrevinhar.
❌ Baaaaah. Pobre blogue abandonado. Eu bem queria. Mas de facto não consigo e não pode ser uma prioridade da minha vida neste momento. Mas continuo mais activa no Facebook, passem por lá.

9. Manter os amigos. Se namorar à distância não é fácil, manter amizades à distância não lhe fica atrás. Não é fácil para quem emigra mas também imagino que não seja fácil para quem fica, que não compreende que a vida de emigrante não permite visitas frequentes e que as férias não podem ser gastas a visitar tooooooda a gente com quem queremos estar porque assim não descansamos nada. Fazer o esforço de estar presente, mesmo que à distância.
✅ Neste momento ando um bocadinho calada (acho que estou numa fase de introspecção e de análise) mas fiz o esforço de ir mantendo o contacto, aproveitei as férias para as visitas, fiz o melhor que conseguia. 

10. Dormir mais. Este é um desejo meu e do Jack. A Mini-Tété dá-nos noites maravilhosas que não aproveitamos porque depois de ela ir para a cama aproveitamos sempre para tratar de assuntos pela noite dentro. Temos de priorizar e perceber que o sono é mais importante que algumas coisas. Este ano foi uma grande chamada de atenção para este ponto e seremos burros se não tivermos aprendido a lição.
✅ Uma pessoa escreve isto e o que é que acontece semanas depois, o que é? Mini-Tété entra numa fase terrível em que andou a dormir bem pior durante 3 meses. Vá lá que depois passou-lhe e agora continua quase o mesmo anjinho de sempre (vamos ignorar que ontem só adormeceu às 2h da manhã, sim?). Ainda assim, acho que globalmente dormi mais e melhor em 2017 do que em 2016. E só espero que em 2018 seja melhor ainda.

11. Respirar fundo. Tenho perfeita noção que o cansaço acumulado, a frustração por não conseguir alcançar alguns objectivos e o pouco tempo para mim me tornaram um pouco mais azeda nestes últimos meses. Não me sentia bem comigo mesma, estava farta de me aturar a mim mesma e não me reconhecia. Em Dezembro disse "basta!" e lentamente estou a sentir-me mais normal. Não me vale de nada ficar ácida se não faço nada para mudar as coisas.
✅ Acho que em termos de "acidez" voltei mais ao normal mas ainda existe outra mudança que preciso de fazer em 2018 porque não atingi o ponto de equilíbrio necessário. Ainda assim, estou bem melhor que no final de 2016, isso sem dúvida, porque estava mesmo intragável.

12. Fazer o álbum de fotografias do 1° ano de vida da Mini-Tété. Ao longo destes 12 meses fui imprimindo fotografias e comprei o álbum. Agora ando há mais de 2 meses a arrastar-me para o preencher. E também tenho de escrever uma carta à Mini-Tété. Tenho um caderno onde decidi que escreveria cartas à Mini-Tété, que ela poderá ler quando for mais velha, quando já tiver saído debaixo da asa da mãe, quando tiver os seus próprios filhos. Não sabemos o dia de amanhã e eu quero que ela saiba o quanto a amo com todo o meu coração, que fique com um registo da sua infância, da sua chegada a este mundo. Não estipulei uma obrigatoriedade cronológica (todos os meses ou em cada aniversário, por exemplo) mas chateia-me já ter passado um ano e não ter escrito nenhuma.
✅ Feeeeeito! E agora vamos ignorar que a pequena já fez 2 anos há quase 3 meses e ainda nem comecei o álbum do segundo ano de vida dela, sim? E sim, comecei a escrever no caderno. Comecei este mês mas comecei, por isso conta.

Epá, afinal isto até correu melhor do que eu pensava. :D