20.5.18

Vaidooosa #27

Tive uma Mini-Tété e o meu mundo ficou mais cor-de-rosa, mas apenas porque ela trouxe doçura e ainda mais amor à minha vida, pois ao nível do guarda-roupa não há quem me tire os tons mais azuis, cinzentos, brancos, roupas sem grandes bonecadas e cortes simples. É, talvez, um gosto mais clássico mas sem entrar nos vestidos de gola e meias com laçarote. Ou então, talvez a vista como gosto de me vestir a mim: discreta, roupa simples, sem grandes padrões e sem grandes misturadas de cores.
E eu gosto tanto de ver assim a minha vaidosa (tão mais vaidosa do que eu alguma vez fui).


18.5.18

Pedir autorização para mudar a fralda?

Quando a Mini-Tété tinha semanas de vida, os meus pais tiveram um ataque de riso quando me ouviram fazer perguntas à pequenina, explicar que ia aquecer o leite e outras conversas parecidas. Na altura ouvi "Até parece que estás à espera que ela te responda!". Ri-me, expliquei que obviamente sabia que a Mini-Tété não me ia responder (não estava assim tão tolinha) mas que me fazia sentido dizer e perguntar as coisas porque um dia ela haveria de perceber e também porque assim ia aprendendo a entoação das coisas que eram ditas, para mais tarde entender melhor o que eram perguntas, o que eram explicações, o que eram afirmações, e já agora aprender como se comunica....Além do mais tinha lido que descrever o que se estava a fazer e conversar com o bebé era a melhor maneira do bebé aprender as palavras, por isso, ainda mais sentido fazia começar logo desde cedo.

Coincidência ou não, já se sabe que a Mini-Tété começou a falar muito cedo. E não é apenas falar,  pois como ainda no outro dia ouvi, a verdade é que com 2 anos, ela explica-se, tem raciocínios e consegue verbalizá-los. Eu acho que o mérito é quase todo dela mas deixem-me acreditar que há ali uma pequena percentagem que se deve às horas de conversa (vá, monólogos), explicações e afins que eu tive com ela.

E estou a escrever isto porque tenho andado a ler diferentes blogues a comentar as palavras de uma especialista em educação sexual que afirmou que se deve pedir autorização a um bebé para lhe mudar a fralda, de forma a começar a ensinar noções de privacidade e intimidade. E como andei a espalhar a minha opinião por diferentes caixas de comentários, achei que mais valia escrever aqui, no meu próprio blogue, aquilo que penso sobre o assunto.

A ideia de perguntar a um recém-nascido "Deixas-me mudar-te a fralda, por favor?" parece, no mínimo, roçar o ridículo. Mas informar à medida que se vai crescendo, com um "Agora vamos mudar a fralda para ficares mais fresquinho" é meio-caminho andado para não virem a existir birras para mudar a fralda, porque o bebé (que ganha capacidade de compreensão mais cedo do que aquilo que mostra) vai perceber para onde vai e o que vai acontecer. 
A um bebé de um ou dois anos, é perfeitamente possível informar ou perguntar antes de se ir mudar a fralda. É lógico que se a criança disser que "não" não vamos pensar "Oh, está bem, se não queres, não mudamos", mas sim aproveitar o momento para explicar o porquê de ser necessário mudar a fralda, de forma a que compreenda e colabore, e para a próxima a probabilidade de ela contestar é menor. Não é estar à mercê do bebé e da sua resposta porque no fundo a fralda é mudada quando os adultos querem.
E quem diz fralda, diz tudo o resto.  Ainda há muito o hábito de passar o dia a despejar ordens a uma criança (vai vestir o pijama!, vai lavar os dentes!, vamos mudar a fralda!, come a sopa toda!, arruma os brinquedos!) quando se nos fizessem a mesma coisa estaríamos a enervar-nos ao fim de umas horas. Da mesma forma que se desliga a televisão abruptamente e se manda para a mesa (como se aceitássemos que alguém nos fizesse o mesmo...) ou se manda abruptamente de parar de brincar e ir calçar os sapatos, o que geralmente leva a birras que seriam desnecessárias se se agisse de outra forma.
Sou uma absoluta defensora da comunicação desde cedo, desde recém-nascidos, com perguntas e explicações, para que o bebé compreenda que há razões para se fazerem as coisas, para que perceba como se comunica, para que sinta que há respeito, para diminuir as probabilidades de birras, por isso, não faço ideia se pedir autorização para mudar a fralda ensina o que é a privacidade e intimidade, mas acredito que perguntar e informar que se vai fazê-lo, ajuda a obter a colaboração do bebé e ensina a comunicar.

Bella Ciao!

Ao jantar, o Jack contava-me:
- Andam a fazer versões da música Bella Ciao em diferentes línguas, imagina. Vai agora sair a versão francesa.
E eis que Mini-Tété decide participar na conversa para dizer:
- Oh, Bella Ciao, Bella Ciao...Bella Ciao, Ciao, Ciao!
Pronto, talvez tenhamos andado a falar demasiado da Casa de Papel cá em casa. 
(é uma esponja esta miúda, absorve tudo, que perigo!)

16.5.18

Se voltasses atrás, sabendo o que é ser mãe, voltarias a tomar a decisão de o ser?


Estávamos a ter daquelas conversas normais, em que se vai saltando de assunto em assunto, sem aprofundar grandemente nenhum, em que falávamos de vários temas e a certa altura dizia eu ao Jack que se voltasse atrás no tempo, voltaria a ter a Mini-Tété pois seria difícil decidir não ser mãe, não o sendo e não sabendo o que é sê-lo, pelo que acharia sempre que me estaria a faltar qualquer coisa. E veio a pergunta:

- E se voltasses atrás, sabendo o que é ser mãe, voltarias a tomar a decisão de o ser?

Fiquei a pensar ainda um bocado, há que ser sincera. Respondi que dependia dos dias, do nível de cansaço, do estado de espírito. Que a resposta, ponderando tudo, seria "sim" mas que seria hipócrita da minha parte não assumir que há dias em que penso que tenho saudades da minha vida antes de ser mãe e que talvez fosse igualmente feliz se não tivesse embarcado nesta aventura. É um sentimento difícil de explicar: não é arrependimento por ter a Mini-Tété, eu dou a vida por ela se for preciso e podem aliciar-me com os maiores tesouros do mundo que não há nada que me faça aceitar perdê-la da minha vida. Ela está aqui, eu amo-a e quero que ela continue aqui, agora que existe.

Mas da mesma forma que num daqueles dias em que, recém-nascida, a Mini-Tété encheu a fralda de tal maneira que se sujou dos pés ao pescoço e eu me sentei mais tarde a fazer contas ao número de fraldas que ainda teria de mudar até aos 2 anos e meio da criança, e aquilo me deu um número exorbitante (a sério não façam as contas) que me levou a pensar que eu nunca aguentaria mudar tantas fraldas na minha vida, momento esse que passou e claro que agora mudo fraldas sem pensar 1 minuto sobre o assunto, também há dias em que o cansaço me leva a pensar que, se não houver apoio familiar, ter um filho implica abdicar de fins-de-semana de preguiça e séries umas atrás das outras, de dormir até ao meio-dia e passar o resto do dia no sofá em pequenas sestas, de fazer férias do tipo nada-para-fazer-quase-que-me-aborreço, de idas ao cinema sozinha com o companheiro, de comer fora de horas, de ler um livro num só dia, e muito mais coisas durante anos e isto, nesses dias, também me leva a pensar onde raio me fui meter porque até estava com uma boa vidinha.

Claro que em tudo isto se tem de ter em consideração que estou com a Mini-Tété em casa há 2 anos e meio. Não há creche nem amas onde a deixar umas horas todos os dias, e com o Jack a trabalhar 7 dias por semana, também a minha semana tem 7 dias iguais, onde tanto faz que seja domingo como segunda-feira. Se calhar, se ela andasse numa creche ou se eu fosse tirando férias sem ela, o meu sentimento talvez fosse diferente, talvez a resposta fosse mais automática. Mas digo "talvez" porque não sei mesmo, poderia sentir a mesma coisa (e sem qualquer problema com isso porque não me faz confusão nada disto).

Por isso, acho a resposta fácil e complexa ao mesmo tempo. 
Sabendo o que é ser mãe, voltaria a sê-lo? Sim porque não me arrependo, porque a amo, porque gosto de a ter na minha vida com tudo o que de bom ela me dá.
Sabendo o que é ser mãe, voltaria a sê-lo? Há dias em que acho que não, porque me apetece desligar a cabeça e o corpo, esquecer esta responsabilidade e este trabalho, viver a boa vidinha que estava a levar antes de a ter. Mas depois há os outros dias todos em que se voltasse atrás, teria de a ter novamente e sem pensar dois segundos. Porque ela faz-me feliz. E eu gosto de ser feliz.




14.5.18

Que idade têm os vossos filhos quando se imaginam pais?

Que tipo de pais se imaginam a ser? Tenho a ideia de que quando ainda não somos pais e nos imaginamos como tal, temos tendência para nos imaginarmos sempre com um filho de determinada idade ou até mesmo de apenas um dos sexos. Lembro-me de uma vez ter visto uma entrevista a uma grávida que dizia que quando se imaginava mãe, não imaginava um recém-nascido mas sim uma criança pequenina a andar atrás dela para todo o lado. Fiquei a pensar naquilo e apercebi-me que eu mesma quando me imaginava como mãe, imaginava-me sempre como mãe de uma criança já crescida, ali entre os 6 e os 10 anos, a conversar com ela, a explicar-lhe as coisas. Quando imaginava o tipo de mãe que eu queria ser, quando pensava que queria ser compreensiva, calma, explicar o mundo, era sempre a imaginar-me já mãe de uma criança crescida.

Quando a Mini-Tété era uma bebé de meses lembro-me de desabafar com o Jack que a maternidade era diferente daquilo que eu imaginava e que era difícil ser a mãe que sempre tinha imaginado ser porque de repente tinha ali uma bebé com quem obviamente não conseguia conversar e explicar as coisas e por isso tinha de ser uma mãe diferente, mais adaptada àquela bebé que tinha naquele momento. A vida foi simpática comigo e deu-me a Mini-Tété com quem consigo conversar e explicar as coisas desde cedo, o que me levou a encontrar novamente aquele papel de mãe que eu achava que me assentava melhor. Mas às vezes penso nisto, se de facto não nos perdemos às vezes no papel de mãe, sem sabermos muito bem o que mudar mas sabendo que não estamos confortáveis naquele papel, simplesmente porque quando nos imaginámos mães, não abrangemos todas as idades. A mesma coisa para quem sempre se imaginou mãe de meninos e de repente tem uma menina, ou vice-versa.

Um conhecido, com mais um filho recém-nascido nos braços, confidenciava-me que não estava preparado para aquela fase porque cada vez que pensava em ser pai novamente, tinha sempre imaginado um bebé com mais de 6 meses. Talvez haja mesmo fases ou idades das crianças com as quais nos identifiquemos mais.

É engraçado que agora, se pensar em ser mãe novamente, já não me imagino mãe de uma criança mais velha, em conversas e explicações, mas sim mãe de uma bebé de alguns meses. Afinal, talvez  o meu papel de mãe já se identifique com mais idades do que antes da Mini-Tété nascer. :)


11.5.18

Prendas de aniversário de casamento

Este ano, para comemorar o 4° aniversário de casamento, trocámos uma prendas...originais.

Prenda do Jack: antes de irmos jantar os dois, levou-me à nossa futura casa. Mandou-me fechar os olhos, entrar em casa e...lá estava a escada colocada provisoriamente no seu lugar para que eu pudesse pela primeira vez subir ao andar de cima da casa, onde nunca tinha posto os pés desde que ele foi construído. A escada ainda não tem o último degrau pelo que ter de passar por cima de um vazio criou-me ali umas vertigens que eu achei que ficava ali pendurada, sem subir nem descer o resto da noite. Mas consegui e fui ver o trabalho que o Jack e o pai têm feito nos últimos meses. Foi muito estranho estar a ver as divisões que até agora só vi em papel ou na planta 3D que eu mesma fiz com as medidas que o Jack me deu. Eu tinha noção que na minha cabeça as divisões eram maiores do que eram na realidade [temos um casinha de bonecas, já o disse] e fui tentando obrigar a minha cabeça a adaptar aquilo que imaginava. Fracassei ligeiramente. O arrumo é de facto bastante mais pequeno do que pensei assim como a casa-de-banho, mas o resto das divisões anda ela por ela. Afinal a trave que atravessa a casa mesmo por cima da nossa cabeça não incomoda nada e foi tão bom ver finalmente onde estarei a viver daqui a uns meses. Não me safei da sensação esquisita de parecer estar a ver uma casa que pertence a outra pessoa e não a mim, tal não foi a quantidade de gente que já visitou aquele andar antes de mim. Mas gostei muito desta prenda: poder finalmente ver a metade da casa que nunca tinha visto ao vivo.


A minha prenda: o Jack teve direito a ir jantar com a mulher cheia de febre, enjoada como se estivesse a andar de barco (e eu enjoo mesmo muito a andar de barco), sem vontade de comer nada e claro, com algum mau humor a condizer. A última vez que me senti assim em alto-mar foi quando estive grávida da Mini-Tété, facto esse que não passou despercebido à minha sogra quando lá fomos deixar a neta para jantar e que me perguntou logo que eu não estaria "à espera do menino". Não estou, é um facto, nem estarei nos próximos tempos porque eu estou em trabalho de parto de uma casa há 4 anos e estou estourada de mais para me meter noutras aventuras tão cedo. A única coisa que carrego em mim neste momento é um vírus que a Mini-Tété gentilmente me passou e que pelos vistos ontem terei oferecido como prenda ao Jack, pois hoje já se queixou de estar doente. Nós somos assim, partilhamos tudo.

10.5.18

4 anos de casados

Eu juro que não sei como é que já estamos a fazer 4 anos de casados porque me lembro bem de "ainda ontem" estar a partilhar aqui e no facebook o ramo de flores que o Jack me ofereceu pelo nosso 3° aniversário. Não sei onde se enfiou o tempo ao longo destes 12 meses porque fugiu-me entre os dedos mas eu vou encontrá-lo e dar-lhe um raspanete daqueles. Isto não é coisa que se faça, passar um ano assim em 5 minutos sem dar tempo a uma pessoa de reparar nisso.

Mas o que interessa é que aqui estamos nós, juntinhos há 13 anos e casados há 4. Com uma filha linda como o sol. É apenas o início de uma grande jornada, ainda temos muitos anos pela frente, até sermos velhinhos e podermos olhar para trás, felizes do percurso que ambos fizemos. De mãos dadas. Sempre.

Tinha 12 anos quando me apaixonei por ele. Agora aos 33 continuo apaixonada. Aqui entre nós que ninguém nos ouve, acho mesmo que isto é amor. ♥



4.5.18

Mini-Tété, A Do Contra


A Mini-Tété está a passar por uma fase tão mas tão chaata, haja paciência. Está na fase do "não" a qualquer pergunta que lhe seja feita e o 90% do que a oiço dizer durante o dia é "não quero, não gosto, não vou, não digo, não arrumo, não como, não bebo", etc, etc. Se o almoço tive carne, arroz, cogumelos e tomate é certinho que me vai dizer que não gosta de carne nem de arroz nem de cogumelos nem de tomate. Também não gosta da sopa e muito menos da fruta, seja ela qual for que lhe seja apresentada. Não quer dormir a sesta, não quer ir para a cama, não quer arrumar os brinquedos, não quer comer nenhuma refeição, não quer mudar a fralda, não quer vestir, não quer tomar banho, não quer calçar-se, não quer sair, não quer entrar, não quer ir ao parque, não quer sair do parque, não quer ir a pé, não quer ir de carro, não quer nada seja qual for a pergunta que seja feita, arrrgh. Está tão do contra que até demora muito mais tempo a fazer qualquer tarefa que antes faria em dois segundos. Quanto mais lhe peço que se despache, mais devagar faz as coisas. Respirar fundo e contar até 10.

Durante o dia vou levando as coisas o melhor que posso, dando-lhe a volta, não insistindo nalgumas coisas, fazendo questão de outras e dando-lhe pouca importância noutras ainda. Quando começa com a ladaínha de que não quer comer nada do que tem no prato é certinho e direitinho que ouve um "tudo bem, não queres comer, não comes, não faz mal". Geralmente a fome vence a casmurrice e marcha quase tudo. É daqueles casos em que não vale mesmo a pena insistir que coma porque não resultaria e porque eu não tenho paciência para obrigar ninguém a comer.
Admito que chegando ao final do dia a minha paciência começa a esgotar-se depois de horas e horas cheias de "não" e é preciso contar até 10 várias vezes para não lhe dar um berro. Vamos acreditar que é uma fase.

De alguma forma, não sei se não fomos nós a despoletar esta fase porque quando, no parque, as outras crianças começaram a tentar tirar os brinquedos à Mini-Tété, a empurrá-la ou agarrá-la, explicámos-lhe que deveria dizer "Não!" de forma a não deixar dúvidas. Mini-Tété aprendeu "tão bem" a lição que agora diz "não" a qualquer criança que se aproxime a menos de 3 metros dela, que se lembre de subir o escorrega que ela está a ainda a pensar se vai subir ou que ouse sequer falar com ela nem que seja para perguntar se quer brincar. E depois é vê-la toda ofendida quando alguma criança a ignora com razão e me diz "Mas a Mini-Tété disse não!". Mostrámos-lhe o poder do "não" mas acho que agora temos de a ensinar a usar correctamente.

Enquanto não o aprende é respirar fundo e não entrar em pânico quando se pensa que se é assim aos 2 anos e meio, o que será quando for adolescente. Paciência, Tété, muita paciência.