24.6.17

Não entendo

No fim-de-semana passado, a sair da aldeia com a Mini-Tété para irmos até um parque brincar, cheguei a uma zona de estrangulamento de estrada onde todos os avisos indicam que quem tem prioridade sou eu. Do lado contrário, um carro aproximava-se a alta velocidade, obrigando-me a travar de repente depois de ter percebido que ele, mesmo que quisesse e fizesse o esforço (que não fez), não conseguiria parar a tempo para que eu passasse e que se eu continuasse bateríamos simplesmente de frente. Admito que nestas alturas às vezes me passa pela cabeça um "Que se lixe! Caramba, quem tem prioridade sou eu, por que raio tenho de ser eu a parar enquanto estes idiotas continuam a achar que a estrada é deles?". Claro que travo sempre porque mais do que querer destruir o carro do outro, quero salvar o meu e sobretudo quero salvar-me a mim. E desde que a Mini-Tété nasceu, não pode mesmo ser de outra maneira. De modo que travei (como sempre), um travagem bruta e seca mesmo à última da hora (porque o estrangulamento está a seguir a uma curva, não permitindo grande visibilidade), enquanto o via passar e levantava os braços em sinal de protesto. O condutor levantou a mão em jeito de desculpa (vá lá, já apanhei uns quantos que ainda reclamam comigo). E nessa altura vejo: ao lado dele, uma criança pouco mais velha que a Mini-Tété, sem qualquer cadeira necessária, presa apenas com o cinto de segurança. Passei o resto da tarde angustiada, a pensar no que teria sido se eu não tivesse tido o reflexo de travar, se eu (como tantos ali) fosse mais depressa do que ia e não conseguisse travar a tempo, se estivesse a olhar para o telemóvel (como tantos), coisa que nunca faço, ao ponto de não o ter visto a tempo, se chocássemos os dois de frente. A Mini-Tété vai protegida (quero acreditar que sim) na sua cadeira no sentido contrário à marcha, quero acreditar que não sofreria mazelas. Mas e eu? E aquela criança, tão mal presa e em tão grande falha de segurança? Mas sou só eu que vejo o perigo? Aquele idiota que conduzia em excesso de velocidade ao ponto de nem conseguir ceder passagem obrigatória não consegue chegar às mesmas conclusões que eu?

E da mesma forma que não consigo entender quem põe assim a vida de uma criança em risco, também não compreendo o que vejo diariamente na internet, nas redes sociais, de gente que até considero que tem dois dedos de testa. Não comento, não aponto o dedo, acho que se o fazem é lá com eles, mas não compreendo:
- Sigo algumas páginas de pessoas do "jetset" e é ver crianças com menos de 3 anos a viajar ao colo dos pais, ou sentadas nos bancos apenas presas com o cinto de segurança, ou até nas suas cadeiras mas com os cintos completamente folgados. Não pensam na possibilidade de haver um acidente?
- Pessoas que tiram fotografias, filmam e transmitem directos para o facebook e instagram enquanto conduzem. Oh, senhores, eu já vi um brutal acidente acontecer porque um carro avariou, o senhor saiu do carro (foi a sorte dele) e segundos depois, um carro em excesso de velocidade com o condutor distraído com o rádio, bateu de tal maneira no da frente que este deu meia-volta. Eu própria já tive um acidente num semáforo exactamente porque a senhora atrás de mim ia distraída com o rádio e não viu que eu parei no semáforo vermelho. Porque é que pensam que controlam tudo? Porque é que acham que estar a filmar e a olhar para o ecrã "só dois segundos" não é perigoso? 
- Marcas que oferecem as cadeiras às pessoas famosas com filhos com menos de 3 anos: porque é que insistem em oferecer cadeiras que vão no sentido da marcha? Porque são mais baratas? Acredito. Mas já que é publicidade do género "a-pessoa-famosa-fala-maravilhas-da-cadeira-e-toda-a-gente-vai-comprar-porque-querem-ser-iguais-aos-famosos" não seria uma tão melhor ideia fazerem publicidade às mais caras? E pôr esses famosos a falar da importância de ir contra o sentido da marcha?
- E mesmo estes famosos, aceitando prendas e parcerias com marcas, por que não têm como condição o que é mais seguro? Porque não dizem "Querem oferecer uma cadeira? Boa!Mas só se for uma que viaje no sentido contrário à marcha"?
- Pessoas que permitem que os filhos de 5 anos conduzam ao colo dos pais "apenas 50, 100 metros", admitindo que é perigoso. Mas se sabem que é porque é que fazem...?

Eu admito, sou paranóica com a condução. E infelizmente também já cometi um erro dos qual tentei tirar a maior lição possível para que nunca mais volte a acontecer. Tenho um medo imenso de conduzir mas não é por mim, é por todos os idiotas que circulam na estrada. Quando chamo a atenção para excessos de velocidade, para ultrapassagens perigosas, para o facto de não controlarmos quem vai a conduzir outros carros, oiço frequentemente a resposta "Mas se eu estiver a fazer algo legal e outro me bater, a culpa é dele e é ele que paga os estragos no carro!". A minha resposta é sempre a mesma: e se morreres, isso interessa?

"Other people make mistakes. Slow down."

22.6.17

Uma praga

Os meus vizinhos vivem numa terra diferente da minha, só pode. No Inverno, com graus negativos, temos nós tudo fechado e o aquecimento a bombar, e é vê-los de janelas abertas dia e noite. No Verão, com receio das melgas, fechamos tudo à noite enquanto que eles mais uma vez mantêm tudo aberto pelo que facilmente se conclui que as melgas só voam mesmo ao nível no nosso apartamento. E todos os anos por esta altura, há uma praga de mosquitos pequeninos que facilmente nos entra pela casa dentro (aliás, basta sair de casa e entrar no carro para ficarmos logo com a roupa e a pele com vários mosquitos). No primeiro ano que aqui vivi tive a terrível experiência de abrir a janela do quarto para arejar e minutos depois uma das paredes brancas estava preta com tantos mosquitos pousados. Fui obrigada a comprar daqueles difusores mata-tudo (e eu que odeio estas coisas), pôr no quarto, e umas horas depois o chão estava preto de tantos mosquitos mortos. Desde aí tenho sempre cuidado quando os começo a ver aparecer. Nos últimos dias, já tinha visto um ou outro pousado nas janelas mas hoje, estando a casa a 32°C, decidi arriscar e abrir as janelas para arejar, pensando que poderia ser a última vez antes da praga chegar. Erro! Minutos depois, já via mosquitos nas costas da Mini-Tété. Fui a correr fechar as janelas mas já era tarde demais: tenho as paredes, o tecto, os cortinados, tudo cheio de mosquitos. E tem sido assim o meu dia: a dizer palavrões, a passar panos húmidos em todas as superfícies para os ir matando e a ver que os vizinhos mantêm as janelas abertas porque muito provavelmente lá na terra deles, que é seguramente uma terra diferente da minha, não há esta praga. 

E o bom que é ter uma casa quente e saber que não vou poder abrir uma janela que seja durante uma ou duas semanas? 


Já limpei esta janela uma dúzia de vezes. Minutos depois volta a estar assim cheia de mosquitos tal a quantidade que neste momento ainda tenho a viver cá em casa.

21.6.17

20 meses (1 ano e 8 meses)

Há uns dias, decidi experimentar por brincadeira uma aplicação na qual eram respondidas várias perguntas de forma a ver o nível do nosso bebé nas competências motoras, de linguagem, sociais, etc...Na parte da linguagem e das competências motoras aconteceu o esperado: na primeira está muito acima da média (com a aplicação a fazer-me a pergunta "Estamos perante um futuro Einstein?") e na segunda a ficar muito abaixo da média (não se pode ser bom em tudo).
Pois é, Mini-Tété já fez 20 meses e andar sozinha não é com ela. Ainda assim, os últimos dois meses traduziram-se num avanço descomunal e a bebé que não se mantinha de pé agarrada a nada passou a conseguir andar na rua de mão dada (obrigada!, gritam as minhas costas). E já se aventurou por duas ou três vezes a tentar ficar de pé sem se agarrar. Bem me dizia o instinto que ela apenas precisava de tempo e ainda bem que me mantive calma e a deixei seguir ao ritmo dela. Não tenho pressa, nunca tive, nem para que ela nascesse. É a minha preguiçosa tagarela (tem dias que não se cala, senhores, sempre a falar comigo ou sozinha. Fora as noites em que decide rever, antes de adormecer, todo o vocabulário aprendido. E não falemos do facto de falar a dormir...Já disse que ela não se cala?). 

Neste momento, anda com uma aversão à água ao ponto de a metermos na banheira e ficar com os braços levantados para que nem mais 1 cm de pele toque na água, essa coisa estranha que a deixa molhada e a incomoda.
Depois de uns dias a recusar a sopa e a dizer "Quente! Quente!" mesmo com a dita bastante morna, lembrei-me que já no Verão passado, ainda não tinha ela um ano, só aceitava comer a sopa fria. Na altura associei ao nascimento dos dentes mas parece-me agora que a tolerância dela ao calor deve ser parecida com a da mãe: zero. Assim sendo, agora tiro a sopa do frigorífico, dou-lhe uns segundos de microondas só para acalmar a minha consciência e lá lhe ponho à frente a sopa fria. E ela come, comigo a arrepiar-me toda. Blargh.

13.6.17

Às cambalhotas com a cozinha

Passei noites a fazer a cozinha, como já aqui tinha dito, até chegar à versão final aprovada pelos dois. Este domingo demos um salto ao IKEA para vermos com mais atenção e ao vivo os móveis, as bancadas e outros pormenores incluídos no plano. Ora bem, como é que eu hei-de explicar isto...Eu tinha escolhido uns móveis, não muito caros (que o orçamento não é grande) que me lembrava de ter visto assim ao longe, numa das nossas idas para comprar outras coisas. E estávamos satisfeitos, o design era o pretendido (mais tradicional e menos moderno), a cor era a certa, não havia grandes riscos de não gostarmos mas ainda assim era melhor ver de perto. 
E eu acho que deveria ter havido alguém a filmar a nossa reacção quando chegámos junto aos móveis escolhidos...Qualidade e acabamentos péssimos, enfim, parecíamos dois tolos de boca aberta, a fazer festinhas às portas para sentir o acabamento, a olharmos um para o outro em choque, sem dizermos uma palavra. Cinco minutos depois, quando recuperámos a fala, ficou determinado que nem pensar em gastar tanto dinheiro (porque mesmo não tendo um grande orçamento, a verdade é que uma cozinha não é barata) nuns móveis que estávamos a detestar. Passámos a hora seguinte e ver todos os móveis disponíveis, a fazer festinhas às portas (conseguimos pôr algumas pessoas a olhar para nós espantadas, imitando-nos depois o gesto), a imaginar como ficaria, e chegávamos sempre à mesma conclusão: eu gosto de móveis modernos mas de não de todos, o Jack recusa-se terminantemente a ter uma cozinha moderna na nossa casa visto que toda ela é muito tradicional (paredes exteriores de pedra, vigas de madeira à vista no tecto, etc), ou seja, apenas uma gama cumpria os requisitos. Na verdade, esta tinha sido a nossa primeira paixão mas por ser muito cara, foi descartada. Agora tornou-se a única hipótese, sendo duas vezes mais cara que a gama escolhida inicialmente para o projecto. Por isso, cá ando eu novamente, a pôr e a tirar móveis, às voltas com a cozinha, a ver se consigo fazer uma com estes móveis que gostamos ao preço mais reduzido possível. Estou praticamente doutorada em cozinhas do IKEA.

10.6.17

Maio e início de Junho em fotografias (no facebook)


Mini-Tété anda meio adoentada e fomos apanhar ar puro para ver se os vírus se vão embora.

Temos artista! Mostrou-me radiante o que tinha feito, dizendo "Sol!". Ando aqui a rebentar de orgulho.

Nova leitura a começar...

Passeio por sítios bonitos.

 Gostei tanto mas tanto deste livro. Deu-me a volta à barriga, agoniou-me, prendeu-me, deixou-me a pensar...Fui falando dele ao Jack à medida que o lia tal era a forma como me estava a impressionar.

A bisavó da Mini-Tété mandou-lhe uma letra para pôr na porta do futuro quarto. "Giafa! Giafa!"

A melhor madrinha de casamento de sempre mandou à Mini-Tété esta luz de presença. Neste momento já deve estar a pensar que nunca mais nos oferece nada porque eu não lhe respondo aos e-mails (ando muito ocupada, mas não está esquecido!)

Tem sido esta a minha vida todas as noites. A versão final não é nada igual a esta. Nem a porta da cozinha está no mesmo sítio.

Mini-Tété com sandálias nada cor-de-rosa, com zero brilhantes, purpurinas e mil e uma cores. Somos discretas.

Nesta altura, estava a começar a treinar a andar agarrada aos móveis.
(sim, tem umas bochechas liiiindas) 

De pé a ver os patos.

Três anos de casamento. Três anos de pirosice.

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Três anos de casamento são bodas de trigo. O bouquet esteve à altura.

 Três anos de casamento significa rever as fotos de uma dia maravilhoso. Os nossos bonequinhos do bolo eram amorosos.


Ser (esta) mãe é:

Nunca ter fumado na vida e não gostar de álcool mas chegar ao fim do dia, com a Mini-Tété acabada de adormecer, e apetecer sentar-me no sofá a beber um copo de vinho e a fumar um cigarro. Em silêncio.

Soltas

Ando meio ausente (vou mandando umas postas de pescada no facebook, se quiserem passar por lá) mas está tudo bem.

As obras na futura casa estão a avançar e está a ficar cada vez mais com aspecto casa e menos celeiro (yey!). Ainda há muito trabalhinho pela frente mas prevê-se um grande avanço nas próximas semanas, o que tem implicado uma grande pesquisa de materiais, encomendas, pedidos de orçamentos, etc.

Andámos a gastar noites e noites a definir as divisões em cada andar. A loucura foi tanta que conseguimos retirar uma divisão previamente pensada no andar de baixo e metê-la meio à força no andar de cima. Basicamente vamos ficar com um andar de baixo mais espaçoso (dentro do possível nesta nossa casinha de bonecas) e um andar de cima apertado. É o que temos.

Para definir as divisões ao centímetro, aqui a menina teve de desenhar a cozinha para saber exactamente o espaço que os móveis ocuparão. Foi muito giro, mas muito trabalhoso. Fiz imensas versões de cozinhas, mudei a porta de sítio umas quantas vezes, pus ilha, tirei ilha, pus e tirei electrodomésticos encastráveis (e muda logo o design de uma cozinha e a sua configuração), pus móveis para um lado, pus móveis para o outro, pus prateleiras, tirei prateleiras, enfim, uma desgraça, já quase que vomito móveis de cozinha. Mas acho que chegámos à versão final e acho que vai ficar gira (isto agora só depois de montada é que vou ver se tenho jeito ou não para decoradora).
Agora ando entretida a "escolher" os electrodomésticos para ficar com uma ideia do rombo que vão dar ao orçamento.

Nesta loucura e com noites até às tantas, a Mini-Tété decidiu apanhar um vírus que lhe deu direito a uns dias e noites com temperaturas a rondar os 40°C. Já está a passar (ufa).

Ainda consegui ler um livro que descobri depois que já tinha lido.

Como vêem, está tudo bem. Ando apenas ocupada. :)

3.6.17

Eu devia mesmo dormir mais...

Deito-me antes do Jack. De manhã, a Mini-Tété acorda-me, eu olho para o relógio e penso "Bolas, adormecemos!!" enquanto estico o braço para o lado do Jack para o acordar. Não está lá. Ponho-me a pensar...Não me lembro de ele se ter deitado e não me lembro de ter ouvido os despertadores tocarem nem de o sentir a levantar-se. Tu queres ver que o homem não se deitou?? Mas por outro lado, lembro-me de lhe perguntar já na cama se queria que eu pusesse despertador e de ele me responder que não era preciso porque tinha posto dois alarmes. Mas só pode ter sido um sonho porque ele nunca põe dois despertadores e pede-me sempre para eu programar o meu. Mando-lhe uma mensagem:
- Tu não te vieste deitar esta noite!! Achas normal ires trabalhar com uma directa em cima??
- Mas eu fui dormir...Não te lembras de falar comigo?
- Huuum, mais ou menos. Tinha a ver com os despertadores. Mas isso não foi um sonho?
- Não. Acordaste duas vezes para falar comigo. A segunda foi essa: perguntaste-me se eu queria que pusesses despertador e eu disse que não era preciso porque eu tinha posto dois.
- E o que é que te disse da primeira vez que acordei?
- Disseste "Eu devia bater-te".

Eu juro que sou uma mulher muito pouco dada à violência.